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Sobre o autor

Jovem jornalista e editor do Portal730, Wellington Borges escreve sobre o cotidiano, baseado em experiências próprias e de próximos. O que passa desapercebido no dia-a-dia, também é assunto para discussão aqui, é claro, com a participação do internauta.

Wellington Borges
Segunda, 08/10/2012 19h10
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Wellington Borges
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Por um lado, o saldo do número de mulheres eleitas para as prefeituras no Brasil, até agora, é positivo. Escolhidas em primeiro turno, 621 mulheres vão comandar cidades em todo o país, que já é governado por uma mulher. Isso representa um crescimento de 31,5%, comparado ao resultado de 2008.

Mas, o crescimento é ínfimo e a desigualdade de gênero ainda impera na política brasileira. As mulheres prefeitas representam apenas 11,37% dos 5.463 prefeitos eleitos no primeiro turno pelo país.

E mais: A maioria das eleitas vão comandar cidades do interior. Boa Vista, capital de Roraima, é a única capital que escolheu uma prefeita em primeiro turno: Teresa Surita, do PMDB. Além dela, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) ainda concorre em Manaus.

Em todo o país, o Acre foi o único Estado que não elegeu nenhuma mulher como prefeita.

2.026 mulheres concorreram ao cargo em todo o país, 13,39% do total de candidatos.

 
Quarta, 03/10/2012 17h50
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Wellington Borges
Última atualização em Qua, 03 de Outubro de 2012 18:07
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Ele não deve ter assistido a nenhum jogo do clube na Série C e, provavelmente, nem sabe das dificuldades que a equipe enfrenta para retornar à segunda divisão do futebol nacional, mesmo assim, em um comentário para Rádio, o jornalista Alexandre Garcia se assumiu colorado.

Alexandre, na verdade, ficou “encantado” com a cordialidade e educação – que deveriam ser obrigação de todos – dos atletas da equipe goiana. Ele se encontrou com os jogadores que iam embarcar para Juiz de Fora, onde enfrentaram o Tupi-MG no fim de semana. Por isso, elogiou os colorados e disse ter se tornado torcedor do Tigre.

O áudio virou febre nas redes sociais entre os vilanovenses que não estão tendo, infelizmente, há algum tempo, muitos motivos pra comemorar.

Aos atletas que arrancaram elogios, parabéns! O comportamento deveria ser copiado por todos.

Ao jornalista Alexandre Garcia, boas vindas à torcida colorada, mas saiba que não anda fácil a vida do torcedor do Tigrão, se é que já foi um dia.

Tomara que em breve você reencontre os atletas embarcando para voos mais altos.

Clique aqui para ouvir o áudio no site leouve.com.br.

 
Terça, 21/08/2012 16h18
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Wellington Borges
Última atualização em Ter, 21 de Agosto de 2012 19:28
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Bravo!!!! A classe média brasileira está preocupada com a qualidade da educação pública. Parados em seus carros, com o vidro fechado e o ar condicionado ligado, no alto do Bueno, enquanto esperam os filhos saírem dos colégios caros para levá-los ao shopping, os pais agora refletem acerca da importância de ensino público e gratuito de qualidade.

Estão preocupados, na verdade, com a vaga garantida que seus pimpolhos tem, e sempre tiveram nas universidades públicas. Agora ela está ameaçada com a aprovação no Congresso Nacional do projeto que institui cotas sociais e étnicas nas universidades públicas.

E agora, de repente, não mais que de repente, se atentaram para o fato que a educação pública brasileira não oferece condições iguais de formação e qualificação. O vidro fechado do carro com ar condicionado que separa o motorista branquinho, formado por uma universidade pública, do "neguinho" que vende bala, nunca foi, para essa classe média, ou alta que seja, segregação racial ou social. A instituição de cotas, para eles, agora é.

A escravidão, que tirou o homem negro da senzala pra favela e depois pra prisão, não deixou resquícios de preconceito para essa classe média que enche o peito pra dizer que não é “racista, mas não quer um genro negro”.

A propósito, é bom que se diga que as nossas universidades já adotam o sistema de cotas há tempos. As vagas das faculdades públicas são loteadas entre os cursinhos e escolas particulares com mensalidade igual ou maior ao salário do trabalhador comum. Colégio tal aprova dez em medicina. Outro, aprova 15 em Direito. Nossas cotas já existem, há tempos, para quem pode pagar por elas. Para os estudantes de escolas públicas, resta uma porcentagem irrisória que não será corrigida em curto prazo, mesmo com a aplicação dessa lei que a presidente Dilma ainda precisa sancionar.

Os estudantes goianienses, na ânsia de manter seus privilégios, garantir a aprovação na UFG e ganhar um carro do papai de presente pelo êxito, até saíram às ruas para protestar. Resolveram, enfim, exercer a consciência política (sic) que aprenderam na escola. Natural que cada um defenda o seu lado.

Defendo os que são como eu. Defendo na frente de qualquer um.

Negro, bisneto de escravos, filho de um tapeceiro e de uma empregada doméstica, eu escrevo um texto que não devia ser escrito. Estudei a vida toda em escola pública, fiz o ensino médio à noite, em Anápolis, pois precisava trabalhar durante o dia. A palavra faculdade não fazia parte dos meus planos futuros até que me vi matriculado em uma, graças a uma Bolsa do Programa Universidade Para Todos (Prouni), em 2006. Não gosto de relatar as dificuldades que passei nos quatro anos de curso de Jornalismo, pois não me vanglorio delas. Não escolhi passar por elas, foi o que a vida me impôs.

Tim Maia, certa vez, disse uma frase que expõe contradições no povo brasileiro: “prostituta goza, traficante cheira, cafetão tem ciúmes… e pobre é de direita”. É natural que seja contra a instituição de cotas quem será prejudicado por elas.

Para o azar de vocês, dessa vez, os donos dos privilégios são a minoria.

O cidadão do carro com ar condicionado, que parou na porta da escola, está revoltado, pois o filho dele e o da faxineira podem ter as mesmas condições de ingressar em uma faculdade.

Ele teme que o menino preto, da escola pública, dispute com o seu pimpolho uma vaga no vestibular, vire jornalista, médico, advogado.

Se dependesse dele, eu não seria jornalista e esse texto não seria escrito. Tarde demais. Já foi.

 
Sexta, 22/06/2012 19h44
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Wellington Borges
Última atualização em Sex, 22 de Junho de 2012 19:50
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O jornalista Leonardo Sakamoto traz uma discussão interessante em um texto, publicado no blog que mantém, no dia 18 deste mês. E nem é preciso concordar com o que ele escreve, pois eu mesmo não concordo com tudo, mas vale refletir. Ele entende – e não há nenhuma novidade nisso - que os arrastões, frequentes ultimamente em restaurantes e bairros nobres da capital paulista, são reflexo de uma guerra que não é apenas entre assaltantes e assaltados, mas social.

“Mais do que uma escolha pelo crime, a opção de muitos jovens pelo roubo é uma escolha pelo reconhecimento social. Um trabalho ilegal e de extremo risco, mas em que o dinheiro entra de forma rápida. Não defendo essa opção, mas sabemos que, dessa forma, o jovem pode ajudar a família, melhorar de vida, dar vazão às suas aspirações de consumo – pois não são apenas os jovens de classe média alta que são influenciados pelo comercial de TV que diz que quem não tem aquele tênis novo é um zero à esquerda”, traz o blogueiro, que também é professor de jornalismo da PUC de São Paulo e doutor em Ciência Política.

E o que temos nós, goianienses, a ver com os problemas sociais da capital paulista? A discussão, creio eu, é pertinente aqui sim, sobretudo porque, esse ano, vamos às urnas definir os rumos de Goiânia nos próximos quatro anos. A capital goiana cresce, mas será que para todos? E os problemas, hoje enfrentados por grandes metrópoles, nós saberemos evitar? Sabemos, ao menos, entender a raiz deles? E os políticos sabem, ou tem interesse em resolvê-los?

Não sei responder, mas deixo a reflexão de Sakamoto abaixo. Felizmente, hoje, nossa classe média goianiense, alta ou baixa que seja, pode sair de casa sem pavor. E poderemos sempre?

Leia o texto de Sakamoto abaixo, ou clique aqui.

"Os arrastões em restaurantes chiques na capital paulista já tiveram uma consequência, além de aumentar o número de seguranças privados: estão aflorando o que há de pior na elite bandeirante. Já estava ouvindo aqui e ali mais bobagens e preconceitos que o de costume, mas Mônica Bergamo e equipe, em sua coluna na Folha de S. Paulo desde domingo (17), reuniram vários deles em um pacotão – pelo qual sou imensamente grato.

Se o planeta não for gratinado por nossa ignorância no meio do caminho, tenho certeza que uma sociedade mais avançada vai utilizar esse texto para entender o que deu errado em uma cidade como São Paulo. E não estou falando dos arrastões, mas do discurso bisonho de nossa elite.

Não tenho medo de ser assaltado em meu carro porque não tenho carro. Não receio que levem minhas jóias ou meu relógio caro porque não tenho relógio. Não fico com pavor de entrarem na minha casa e levarem tudo porque meu bem mais precioso é um ornitorrinco de pelúcia. Não me apavoro em andar na rua à noite a não ser por conta do risco de chuva. E por mais que vá a bons restaurantes de vez em quando, devo ressaltar que nunca fui assaltado em nenhuma barraca de cachorro-quente… Acho que já deu para entender o recado. Não tenho medo da minha cidade porque, tenho certeza, ela não precisa ter medo de mim.

Ostentação em um país desigual como o nosso deveria ser considerado crime pela comissão de juristas que está reformando o Código Penal. Eles não estão propondo que bulling seja crime? Ostentação é mais do que um bulling entre classes sociais. É agressão, um tapa na cara.

Mais do que uma escolha pelo crime, a opção de muitos jovens pelo roubo é uma escolha pelo reconhecimento social. Um trabalho ilegal e de extremo risco, mas em que o dinheiro entra de forma rápida. Não defendo essa opcão, mas sabemos que, dessa forma, o jovem pode ajudar a família, melhorar de vida, dar vazão às suas aspirações de consumo – pois não são apenas os jovens de classe média alta que são influenciados pelo comercial de TV que diz que quem não tem aquele tênis novo é um zero à esquerda. Ganhar respeito de um grupo, se impor contra a violência da polícia. Uma batalha que respinga em nós, que temos responsabilidade pelo o que está acontecendo, seja por nossa apatia, conivência, desinteresse, medo ou incompetência. A polícia e os chefes de quadrilhas puxam os gatilhos, mas nós é que colocamos as balas na agulha que matam os corpos e o futuro dessa molecada.

Os carros blindados levam para as ruas da cidade a sensação de encastelamento dos condomínios fechados, das mansões muradas, dos shopping centers ou restaurantes caros. Sentimento falso, pois não são muros e chapas de aço que irão garantir segurança aos moradores de uma metrópole como São Paulo. É bom como efeito placebo, para se enganar, mas, mais dia ou menos dia, as “hordas bárbaras” vão engolir a “civilização”. “Hordas” que estão chegando cada vez mais perto, como reclamam os mais ricos.

São Paulo tem mais de 11 milhões de habitantes, mas apenas uns poucos são efetivamente cidadãos, com acesso a todos os seus direitos previsto em lei. Lembra a antiga Atenas, com uma democracia para uns poucos iluminados e o trabalho pesado para o grosso da sociedade, composta de escravos. Enquanto uns aproveitam uma vidinha “segura” dentro de clubes, restaurantes, boates, lojas, residenciais e carros, outros penam para sobreviver e ser reconhecidos como gente. Para cada assassinato em Moema, mais de 100 são mortos no Grajaú. Só que a morte de uma jovem em Moema causa mais impacto na mídia do que a de 100 no Grajaú. Ou no Campo Limpo, bairro em que cresci. A gente fica sabendo por lá que tem vida que vale mais que outras, por causa do dinheiro.

Qual a causa da violência? A resposta não é tão simples para ser dada em um post de blog, mas com certeza a desigualdade social e a sensação de desigualdade social está entre elas. Muito do preconceito presente nos comentários trazidos pela coluna da Folha abaixo vai no sentido contrário a uma solução, isolando os ricos ainda mais, deixando-os alheios ao resto da cidade (por ignorância ou má fé). Corta-se com isso a dimensão de reconhecer no outro um semelhante, com necessidades, e procurar um diálogo que construa algo e não destrua pontes. Há riscos de assaltos? Sempre há e eles vão acontecer, ainda mais em um território que muitos têm e outros minguam. Mas deve se ter em mente que há atitudes que pioram o quadro.

Temos que garantir liberdades individuais e a segurança de usufruí-las. Combater a violência, garantir o direito de sair sem ser molestado. Mas isso só será possível com uma sociedade menos desigual e idiota. Ou a cidade será boa para todos ou a aristocracia que sobrar após o caos não conseguirá aproveitar sua pax paulistana."

 

 
Sábado, 05/05/2012 12h24
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Wellington Borges
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Não é preciso mais ter cometido algum ato ilícito, ter colaborado ou se omitido diante de algum, para ser atingido pelo chamado “Efeito Cachoeira”. Atualmente, como escreveu Leonardo Attuch, “se dois indivíduos falam sobre uma terceira pessoa, esta também passa a ser questionada”. E nisso, muitos estão sendo questionados e arrastados pela onda de denúncias, sem sequer terem conversado com o contraventor Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal, e sem terem atendido os interesses dele.

É o caso de alguns vereadores da Câmara de Goiânia, citados em interceptações da operação Las Vegas, anterior à Monte Carlo, de 2009. Os diálogos de Cachoeira indicam que ele tentava barrar Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investigou contratos da Delta. Cachoeira e interlocutores citaram nomes de parlamentares que poderiam retirar assinatura do requerimento que criou a comissão. No entanto, eles não retiraram. Em tese, não colaboraram, pelo menos não nesse caso, para atender o contraventor. Mesmo assim, agora, entram para a mesma vala dos políticos e empresários que tem claro envolvimento com atos ilícitos investigados.

Um caso específico, chega a ser engraçado. O vereador Virmondes Cruvinel, hoje no PSD, à época no PSDC, é chamado de “babaca” em um dos diálogos. Na articulação, Cláudio Abreu diz a Cachoeira que tenta convencer o vereador a tirar o nome do requerimento que pede a investigação. Ele já mostrou documentos à imprensa provando que não retirou assinatura, assim como Juarez Lopes, no PTN, vereador licenciado e agora secretário Legislativo da administração municipal e outros parlamentares.

Há casos e casos, mas não tenho dúvida de que os desdobramentos da operação Monte Carlo trazem um desânimo ainda maior do cidadão em relação a já desacreditada classe política. Todos perdem. Mas, é bom que fique claro. Ser citado por Carlinhos Cachoeira não é crime. Ser citado por interlocutores dele também não é. Ser amigo de um contraventor, almoçar com ele esporadicamente, freqüentar o mesmo ambiente, pode ter implicações morais, julgamento ético, pode até colocar em cheque a idoneidade do agente público, mas crime, não é.

E mais: O envolvimento de políticos com um contraventor goiano e as possíveis influências dele nas esferas de poder são apenas uma pontinha do iceberg. Corrupção existe porque há corruptos e corruptores. Agentes políticos se envolvem com empresários, de todos os setores, apenas porque o sistema eleitoral brasileiro obriga. São eles que financiam campanhas (cada vez mais caras) de todos os partidos, de candidatos com todas as vertentes ideológicas e em todos os lugares. Financiamento público de campanha e reforma política são necessidades urgentes e, ao meu ver, é muito mais importante discutir isso do que quem foi citado ou não. A queda de Cachoeira abrirá uma lacuna para outros. O desgaste de alguns políticos só abrirá espaço para outros.

Se não aproveitarmos o momento para essa discussão, as peças vão mudar. O jogo não.

 
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