Correspondente da Rádio 730 em Brasília, com foco no Congresso Nacional.
Atua na cobertura há mais de 20 anos, com reportagens, bastidores e comentários.
Falta o sentimento de honra e apego à letra da Constituição em cada um dos 513 deputados e 81 senadores ― ressalvadas as famosas exceções de sempre. Medida Provisória é uma farra que usurpa a competência do Poder Legislativo.
O dispositivo constitucional para ser usado com força de lei pelo Poder Executivo em caso de "urgência" e "relevância" transformou-se numa rotina vergonhosa dos governos. De todos eles depois de promulgada a Constituição em 1988.
Nesta semana, a Câmara dos Deputados entrou em ebulição total em torno da MP dos Portos. De terça para quarta-feira, a sessão foi até quase o raiar do dia. Os nobres deputados, mais uma vez, ajudando a usurpar o poder do próprio Legislativo.
A conversa nos corredores gira em torno de liberação recursos públicos para suas excelências justificarem seus mandatos em seus redutos eleitores. E tome-lhe o "toma-lá-da-cá". Se o parlamento fosse um indivíduo, seria motivo para uma carraspana (repreensão).
E na verdade é. É, sim, o caso de reprimenda a cada um dos 594 parlamentares. Afinal, não foram os senhores que fizeram os eleitores despejarem os votos obrigatórios nos senhores?
Não são vossas excelências que falam tanto em democracia? Que usam uma estrutura que custou mais de R$ 14,5 mil por minuto no ano passado ― segundo cálculo do Correio Braziliense? Dinheiro de cada um dos contruibuintes?
Não são os senhores que só trabalham três dias por semana? E que deixam ainda vários artigos da Constituição sem regulamentação? Sinceramente, senhores deputados e senadores, uma carraspana do tamanho do próprio Brasil a cada uma de vossas excelências ainda seria pouco!
Assistimos a mais um embate que denigre a imagem do Congresso Nacional, nessa terça-feira. O líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), chamou, várias vezes, o líder do PR, deputado Anthony Garotinho (RJ), de "chefe de quadrilha". Foi durante votação da Medida Provisória (MP) dos Portos.
Caiado chegou a dizer que algum segurança da Câmara deveria dar voz de prisão ao ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho por causa de suas ligações com corrupção ― poupo você, leitor, de citar o caso específico aqui.
O que me interessa narrar é a baixaria no Parlamento. Ronaldo Caiado foi ouvido pelo próprio Garotinho que, claro, teve direito à reposta. Antes de passar a palavra para o evangélico Garotinho, o presidente da Casa, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), pediu "pelo amor de Deus" para que não manchassem ainda mais a imagem do Legislativo.
Garotinho fez seu pronunciamento "lembrando" a amizade de Caiado com o senador cassado Demóstenes Torres, que era do DEM de Goiás, exatamente por causa de suas ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Antes de Garotinho terminar, um deputado sobe à mesa diretora e estende uma faixa de protesto. Toninho Pinheiro (PP-MG) chegou a ser agarrado por um segurança, algo impensável para uma excelência.
O segurança não o conhecia e achou que ele era manifestante. Eu também pensei o mesmo. Eu estava do lado acompanhando todo o bafafá. Mas o que achei mais interessante foi o depois.
Duas horas mais tarde, pergunto ao deputado Ronaldo Caiado, no fundo do plenário da Câmara: "Deputado, o senhor acha que Garotinho amenizou o tom por causa do apelo do presidente Henrique Eduardo Alves?".
Resposta de Caiado: "Não. É porque ele é frouxo mesmo!"
Enquanto eu, você e nós assistimos a demonstrações de macheza como estas no parlamento, o Congresso Nacional inteiro leva mais uma mancha de lama. De perto, a situação é mais deprimente ainda!
Coincidência. Nessa segunda-feira, ouvi um relato de alguém que trabalha na Câmara sobre como determinado parlamentar foi assediado. Assédio de duas importantes figuras da Casa sobre o que ganhariam em propina se determinada Medida Provisória fosse aprovada.
Minutos depois, no mesmo Salão Verde da Câmara, surge uma das personalidades que me foram citadas. O parlamentar falava sobre a MP dos Portos quando alguém perguntou-lhe sobre denúncias de compra de voto etc.
O então deputado respondeu, circunspecto, que nunca ouviu falar sobre esse tipo de negociação no Parlamento. E que ele próprio não trabalha dessa maneira. Labuta em prol da nação etc., etc..
Observei todas as expressões faciais do parlamentar enquanto ele argumentava que está no Congresso para lutar em favor do povo. Há mais de quatro anos, escutei de um deputado do PT, no cafezinho da Câmara, que há cerca de 350 deputados corruptos na Casa.
O jornal onde eu trabalhava não quis tocar a história adiante porque o petista teria de nominar alguns e eu investigar cada nome. A prudência do jornal justifica-se por causa de processos que podem ser movidos por vossas excelências contra o veículo de comunicação. E quem apontou tem de provar.
Como não cito aqui o nome de ninguém, apenas quis compartilhar contigo, leitor, a enésima história que ouço sobre corrupção no Salão Verde da Câmara dos Deputados. E pelo que acompanho, ela é verdadeira!
Uma das maiores contradições da humanidade é a prostituição. É profissão amaldiçoada ― tanto que as moderninhas preferem o termo "garota de programa" ―, mas é um dos sustentáculos da própria família.
Recentemente, uma garota recém-graduada em letras causou alvoroço ao assumir-se como prostituta. O mesmo bafafá que Bruna Surfistinha provocou tempos atrás. Ambas, claro, usam a denominação "garotas de programa".
O que todos estranham é a mulher assumir esta profissão tão essencial quanto a família na manutenção da sociedade. Prostituição não pode ser assumida!
A grande hipocrisia é que os homens não ficam sem mulheres, sem sexo. Mesmo os casados que não conseguem juntar na mesma fêmea a fêmea propriamente dita mais a "esposa", a "mulher".
Há mulheres que adoram afirmar: "Sou uma dama na sociedade e uma puta entre quatro paredes". Erro delas. Curtir os prazeres do sexo não é privilégio de prostitutas. Aliás, poucas são as que vendem o corpo e tiram satisfação junto com o cliente.
Orgasmos e todos os tipos de práticas para atingi-los são da própria normalidade do ser humano ― afora casos patológicos ou que atentam contra a integridade física e psicológica. Relegar isso aos prostíbulos foi e é uma válvula de escape para manter a família.
As mulheres que hoje se acham moderninhas porque "ficam" com homens, não sabem que isso é tão antigo quanto a própria prostituição. Só que antes elas eram rotuladas de "biscates", por exemplo.
A prostituição nunca será assumida pela sociedade pacificamente. Ela provoca ciúmes entre as mulheres. Qual esposa não reagiria negativamente ao saber que o marido esteve num prostíbulo. Ou uma namorada?
O problema está na restrição à sexualidade, algo necessário para manter os indivíduos em sociedade. E mais uma vez ― esta constatação não se trata de "machismo" ―, a prostituição só deixará de ser uma atividade marginal se os homens mudarem a maneira de enxergar o sexo e as mulheres. E isso afronta pulsões da própria natureza da espécie humana.
Bate de frente com a sociedade que todos enxergam. A mesma que, por motivos óbvios, reservou à privacidade todas as práticas sexuais.
Tempos atrás, um comandante da Polícia Militar do Distrito Federal andou elogiando-me com as seguintes palavras: "É o primeiro jornalista que me entrevista e entende o trabalho dos policiais".
O comandante ficou impressionado não foi com a entrevista propriamente dita, mas com nosso papo paralelo sobre os destinos da humanidade. Disse a ele que compreendia o porquê da hierarquia militar etc., dentre outras opiniões.
Claro que não contei a ele que ― ainda na época da entrevista ― eu costumava dizer: "Tenho mais receio de ser abordado por um policial do que por um bandido. Acho que com o marginal teria como trocar algumas palavras. Com o policial, nem isso".
Estou abordando este assunto por causa da revolta de muitas pessoas com o assassinato de um traficante no Rio de Janeiro recentemente. Fico por aqui.
Uma instituição como a polícia ― seja de que estado for, incluindo a do Distrito Federal ― apresenta tantos desvios que a lógica do senso comum manda desconfiarmos tanto dos homens fardados quanto dos que trabalham em trajes civis.
Como muitos matam gratuita e impunemente ― gente despossuída, claro ―, fica difícil, quase impossível, elogiar uma instituição assim tão manchada de sangue.
A diferença aqui, leitor, é simples: um funcionário do Estado, como um policial, não pode agir como bandido. O marginal transgride as leis, o servidor não pode fazer isso.
Querer que policiais e bandidos se igualem medindo forças, nunca deu certo. Toda vez que isso ocorre, temos grupos de extermínio dentro das polícias. Eles matam algum filho de alguém "importante"? Obviamente que não.
Para que a polícia mereça elogios de toda a sociedade é necessário, primeiro, que a instituição tenha uma maioria de agentes dentro, ao menos, da lei. Sem contar que os bons policiais sabem quem são os maus. Se nada dizem, compactuam com a bandidagem fardada.
E se compactuam, terão de arcar com a avaliação negativa que toda a sociedade faz de seus agentes. É simples e tristemente assim!
PS: Cito aqui apenas um exemplo do que escrevi acima. Já presenciei a chegada de policiais militares, em viaturas da PM, em pleno Plano Piloto, centro da capital do país. Eles entraram no bar onde eu bebia, no balcão, e subiram para receber propina. O lugar, além de prostíbulo, era um conhecido ponto de venda de drogas.