Sexta, 15/04/2011 19h29
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Zeca Baleiro já tem dois livros lançados (Foto: Site oficial Zeca Baleiro)
“O compositor de certa maneira é um cronista”. No processo criativo de um artista, várias são as inspirações e as formas de expressá-las. E por isso mesmo alguns artistas não se apegam à apenas uma vertente da arte. O comentário do início do parágrafo é do cantor, compositor e, aos poucos, também escritor Zeca Baleiro. O maranhense de Arari esteve em Goiânia nesta sexta-feira (15) para um show da turnê do CD “Concerto”, seu último disco, e também para participar do “Banquete de livros”, promovido pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

Zeca lançou no final do ano passado o Vida é um souvenir made in Hong Kong, um livro editado pela UFG, e ilustrado por Roger Mello. “Esse livro surgiu a partir do convite de dois amigos aqui de Goiânia, que hoje cuidam da editora da UFG, e tem uma coleção de livros de arte. É um projeto muito bonito de fazer vários livros, incluindo a canção, a poesia, e me convidaram para fazer uma pequena seleção das minhas letras de música com um tratamento gráfico bonito, refinado pelo Roger Mello, e assim surgiu o Vida é um souvenir made in Hong Kong”, comentou Zeca, em entrevista ao programa da “Repórter Cidade”, da RÁDIO 730.

O cantor iniciou sua incursão efetiva pelo mundo da literatura com o lançamento de Bala na Agulha, uma coletânea de textos que ele escrevia em seu site. A nova obra, editada pela UFG, o agradou bastante. “Fiquei muito feliz, porque o trabalho foi tratado com um carinho imenso, graficamente o livro é lindo, e na verdade não poderia nem dizer que é uma faceta de escritor porque são letras de música, é uma extensão do meu trabalho”, comentou.

Pelo intenso trabalho de criação artística com a música, Zeca não enxerga a literatura como uma grande novidade. “A canção tem o que se chama nos meios acadêmicos de uma obra litero-musical, metade música, metade literatura, embora seja uma literatura mais expressa, porque a letra de música é uma coisa mais rápida, mais ligeira, tem que dar suporte á música”, comentou.

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Vida é um souvenir made in Hong Kong: livro foi lançado pela editora UFG (Foto: UFG)
Música

Apesar das aventuras literárias, a música ainda é o principal elemento que identifica e carrega a autenticidade de Zeca Baleiro. Em Goiânia Zeca apresenta o show da turnê do CD “Concerto”, lançado em agosto de 2010, é um arranjo com versões de vários artistas que marcaram a vida do cantor maranhense. “É um disco especial na minha carreira, porque foi feito inédito, mas foi feito ao vivo, e somos apenas eu e mais dois músicos no palco violonistas Swami Jr. e Tuco Marcondes”, disse.

“É muito interessante, porque são algumas canções antigas que eu toco, rearranjadas em um novo formato, mas há também muita releitura, é basicamente um disco de intérprete”, comentou. Cartola, Camisa de Vênus, Walter Franco, Chico César, Foo Fighters, todos estão representados no novo disco. Entretanto, os sucessos passados estão no repertório do show. “Faço, senão eu apanho”, brincou Zeca, que não reclama da situação. “É sempre bom, claro”.

Cenário para a Música Popular Brasileira

“Acho que a gente vive um tempo interessante”. Zeca é otimista e acredita que a Música Popular Brasileira tem um ambiente propício para alcançar novos voos, apesar das dificuldades de sempre. “Ao mesmo tempo que muitos espaços vão ficando mais fechados, por exemplo, as rádios não tocam mais música brasileira como deveriam, salvo algumas exceções como a rádio de vocês, os programas televisivos dedicados a música ficam com um extrato muito popular de música, Por outro lado acho que há uma abertura do próprio público”, ressaltou.

“O público está com vontade também de ver coisas curiosas, inusitadas. As pessoas querem ver isso, querem que os artistas saindo da sua zona de conforto, tocando sempre os mesmos sucessos, e eu estou sentindo que a cena está muito propícia para esse tipo de projeto”, acrescentou o músico. Segundo Zeca, o atual momento é bom inclusive para que a música brasileira se consolide no exterior, em um movimento que acompanha o panorama político e econômico no qual o Brasil se encaixa.

“À medida que o Brasil se impuser no cenário internacional, o português, isso já vem acontecendo, conheço muitos americanos e europeus que tem tido interesse pela língua portuguesa, eu acho que isso (carreira internacional) vai ser uma coisa que vai acontecer”, analisou o Baleiro. Zeca já participou de festivais no exterior, e a expectativa é que essas oportunidades se ampliem. “Essa cena vai se alargar”, garantiu.

 

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