Confesso que sou meio nostálgico. Passou pela minha cabeça neste domingo, ao ver a vitória de Alonso, depois de Felipe Massa abrir caminho, por determinação da Ferrari, o encanto que a Fórmula 1 me trazia na infância.
Assistia as corridas com meu pai. Acordávamos cedo aos domingos para isso. Na ingenuidade da minha infância, não entendia muita coisa do que acontecia, mas ficava na torcida pelo brasileiro Ayrton Senna. Freqüentemente isso acontecia e eu me sentia feliz, assim como milhares de outras crianças.
Estava de olho na TV no fatídico dia 1 de maio de 1994. Meus pais conversavam com uma tia que nos visitava, quando o carro de Sena bateu. Foi um dia triste. Ninguém conseguiu me explicar naquele dia a minha dúvida infantil. Porque ele bateu o carro, se era tão bom piloto?
Nostalgia à parte, a Fórmula 1 não consegue mais ser romântica, mesmo para os olhos de uma criança. Com todo o respeito aos brasileiros que nos representam na categoria, não tenho ânimo algum para assistir à uma corrida nos meus domingos.
As vitórias brasileiras são raras, mas este não é o maior problema. Ruim é frustrar as expectativas de crianças, jovens e velhos com cartas marcadas e estratégias de equipe. Não sou ingênuo ao ponto de pensar que o jogo de interesses não está presente em outros esportes, mas prefiro isso de forma velada, flertando com a minha inocência.
Depois de ver Rubens Barrichelo abrir para Shumacher passar em 2002 na Áustria, ver Felipe Massa quase parar para ser ultrapassado por Alonso na Alemanha, e Nelsinho Piquet simular acidente para beneficiar companheiro de equipe, não consigo encontrar subterfúgios para fazer meus filhos – que ainda não tenho - assistirem a corrida de domingo comigo, como meu pai fazia.
Com o tempo entendi que, Senna, o melhor piloto de Fórmula1 de todos os tempos, não pôde fazer nada para evitar o acidente que ocasionou sua morte.
Mas quando meu filho me perguntar, na ilusão de que o melhor vai vencer: Pai, o Massa podia ganhar, porque deixou o outro passar ele?
Que resposta eu darei, se esses interesses estão acima da minha compreensão supostamente adulta?


Blog do Wellington Borges


Ele viveu pouco. Foram 32 anos, mas foi uma vida intensa. Controverso, polêmico, poético. Agenor de Miranda Araújo Neto, mais conhecido como Cazuza, conheceu o sucesso, vomitou protesto, quebrou tabus, experimentou os elogios da crítica e foi vencido pela doença.
“O universo e tudo o que nele se inclui ainda é um grande mistério para o homem. Tudo o que se vê é muito mais mágico e profundo do que realmente parece. Ficção e conto de fadas podem ser mais reais do que se mostram. A vida é muito mais vida se virmos o mundo dessa forma. Aproveite Saramago”.


