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Sobre o autor

Jovem jornalista, Wellington Borges escreve sobre o cotidiano, baseado em experiências próprias e de próximos. O que passa desapercebido no dia-a-dia, também é assunto para discussão aqui, é claro, com a participação do internauta.

Terça, 03/01/2012 15h26
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Wellington Borges
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“Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça”. Mario Quintana, autor da frase entre aspas, tinha toda a razão. Assino embaixo e invejo o gaúcho por não ter dito ou escrito isso antes.

Até eu, avesso a todas as datas comemorativas, chato que sou (as pessoas próximas a mim podem atestar), confesso que gosto das festividades de ano novo. É quando faço um balanço de tudo o que fiz nos 365 dias anteriores, no que cresci, no que ainda preciso crescer. É quando paro pra fazer planos, traçar metas, mesmo ciente de que, na prática, a passagem de um ano para o outro nada mais é do que uma passagem de um minuto para o outro, de uma hora, um dia.

É o belo truque do calendário que Quintana citou. É o recomeço e não a continuidade. Recomeço que pode ser melhor e pode não ser. E quando não for, haverá sempre esse recomeço pra que a gente tenha esperança. Uma amiga de Erechim-RS, ao relembrar como foi seu ano, definiu: “Eu fui feliz, depois muito feliz, depois infeliz, depois mais ou menos, depois fui feliz de novo...É que a vida é um revezamento disso, afinal”.

Meu 2011 também foi de felicidades e infelicidades, conquistas e perdas e, sobretudo, de aprendizado e recomeço. De frustrações, mas de muitas vitórias. E amor. Muito amor. Como tem que ser. A todos, que 2012 possa representar também recomeço.

Como diz a canção de Frejat, que ainda exista amor pra recomeçar.

Compartilho também do desejo de ano novo do finado Geraldinho Nogueira, em um comercial da antiga e extinta Caixego. A dica é do amigo Amauri Garcia.

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Quinta, 17/11/2011 13h18
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Wellington Borges
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LULA-16-11-2011

Vi Lula e Enéas sem barba. E não queria ter visto. O folclórico candidato a presidência do bordão “Meu nome é Enéas” abandonou a barba em 2006, devido a uma leucemia, para que a quimioterapia não o fizesse. Depois disso, até mudou o bordão. “Com barba ou sem barba, meu nome é Enéas”.

Agora, a imagem do ex-presidente Lula sentado, acompanhado pela mulher Dona Marisa, careca e sem barba, apenas com um discreto bigode, estampou a capa dos principais jornais do Brasil nesta quinta-feira (17) e foi notícia no mundo.

Com a intenção de se antecipar aos efeitos da quimioterapia para combater um câncer na laringe, Lula resolveu raspar o cabelo e abandonar a barba que o acompanhou durante toda sua trajetória política, de líder sindical no ABC a presidente da República por duas vezes e um dos homens mais influentes do mundo.

E, se a foto emocionou e correu o mundo, não foi à toa. Lula sem barba, não é algo meramente estético. É profundamente simbólico. Lembro da amiga Honória Dietz, companheira de trabalho na assessoria de comunicação de um órgão público há algum tempo, me contar do estudo que fez para sua especialização em Marketing Político. O título era: “Lula, de sapo barbudo a Pop Star”. Na época, achava a expressão “sapo barbudo” extremamente pejorativa. E realmente sempre foi, embora eu não entendesse o contexto e a importância histórica disso. O apelido foi dado por Leonel Brizola, na campanha de 1989.

O “sapo barbudo” chegou ao poder. Duas vezes, sem abandonar a barba. Ganhou respeito do mundo com os símbolos da sua trajetória intactos. As primeiras imagens do ex-presidente com barba são de 1979, nove antes deste que vos escreve nascer na Santa Casa de Misericórdia de Anápolis.

Por isso, vê-lo sem barba torna-se notícia, desperta sensações das mais variadas. Lula sem barba parece outro Lula. E o que espero é que a barba do líder sindical e ex-presidente, e, principalmente do homem resista. Sem se apegar a bandeiras políticas, ela resistiu ao preconceito, a história e ao tempo, e vai resistir a doença.

Crédito da imagem: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

 
Quarta, 21/09/2011 01h12
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Wellington Borges
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Ação e reação. Causa e efeito. A polêmica envolvendo os dois times goianos que disputam a Série D do Campeonato Brasileiro de 2011 (Anapolina e Itumbiara) esconde uma problemática maior. Abandonada pelas entidades que regem o futebol, a quarta divisão do Campeonato Brasileiro, ou “Série D”, caminha muito mais para o amadorismo do que para o profissionalismo e expõe um lado desolador do esporte mais popular do país.

Criada em 2009, a Série D parece não ter sentindo prático algum. Longe do glamour que as Séries A e B - em menor proporção - ostentam, os atletas e os torcedores são obrigados a conviver com estádios de pouca ou nenhuma estrutura, falta de apoio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), viagens desgastantes e muitas outras dificuldades.

Não é à toa que as equipes fogem dessa competição. No ano passado, nenhum time goiano quis disputá-la. Em 2011, uma das vagas ficou com a Anapolina e a outra, sem nenhum pretendente, caiu no colo do Itumbiara, sendo que é a Federação Goiana de Futebol (FGF) que estabelece os critérios para escolher os representantes no Estado.

A Série D tem 40 participantes - divididos em dez grupos - de todas as regiões do país. No entanto, as equipes, em sua maioria são paupérrimas, não tem apoio para custear passagens aéreas ou hospedagens, não contam com direitos de transmissão de Rádio e/ou TV e, por isso, quase não tem patrocínios e encaram a competição na raça ou na loucura. A quarta divisão sequer prevê premiação além do acesso para seus participantes.

Mesmo afastada dos holofotes, na “D” ainda há algumas equipes que tem alguma tradição, com destaque para o pernambucano Santa Cruz, que consegue lotar o “Mundão do Arruda”contra adversários modestos. Também vale destacar a presença da própria Anapolina, do Gama, do Juventude de Caxias do Sul, Sampaio Corrêa-MA, Villa Nova-MG e, porque não, do Itumbiara.

A verdade é que estes clubes parecem maiores que a competição que disputam e a mercê da própria sorte, azar ou capacidade financeira. É um campeonato sem apoio, sem perspectivas e, ao que parece, sem regras.

Se é assim que as entidades que comandam o futebol levam a competição, o que esperar dela? Será que os erros recentemente acompanhados não são apenas reflexo de um erro maior, que é o de criar mais uma divisão?

O abismo que separa o futebol brasileiro em suas divisões é o mesmo abismo que divide os brasileiros como um todo. De um lado, há oportunidade, dinheiro, estrutura e glamour. Do outro, incerteza e decepção.


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