Quanto vale uma vida, afinal? Citei alguns dos milhares de exemplos que mereceriam destaque nesta questão. Anônimos ou não, vítimas conhecidas ou não, a vida nesses casos não passou de um valor ínfimo, ridículo e banal.
Será que estamos voltando aos tempos da barbárie, dos duelos? Já imaginou descer a Avenida Goiás e se deparar com duas pessoas resolvendo alguma contenda num duelo com armas?
Coisa de Velho Oeste? Não, internauta, infelizmente não. São fatos corriqueiros noticiados todos os dias. Nada está fora do alcance de algum maluco que sai de casa com a necessidade de resolver algum problema, por menor que seja, por outros caminhos que não seja o diálogo franco e aberto.
O que dizer de um motorista que sai disparando tiros contra um automóvel que acabou de encostar no retrovisor de seu veículo? Um homem de 50 anos de idade. Meio século de vida e ainda não aprendeu a lidar com pessoas. E pior, sem posse de arma. Esse rapaz matou um pai de família no interior de São Paulo depois de ferir o filho da vítima, de apenas 14 anos. Tudo com a testemunha estupefata da esposa e dos outros filhos bem no Dia dos Pais.
Pra mim, quem sai armado de casa e não tem posse de arma ou não trabalha com ela, está mal intencionado. Não a utiliza como defesa, mas como instrumento de ataque. Está disposto a acioná-la no primeiro embate, na primeira discussão.
Em seu livro "A Mosca Azul", o escritor Frei Betto confessa que já deu Graças a Deus várias vezes por não estar armado no trânsito. Ele sabe que não somos confiáveis. Não sabemos quais são nossos limites. Talvez porque não temos o discernimento para defini-los.
É este exercício que precisamos fazer. O simples respeito ao próximo está fadado ao fracasso na medida em que não buscamos o diálogo e tentamos impor nossas próprias regras de convivência.
A mudança começa agora, neste momento. Teria que começar ontem. Tem que começar quando nascemos ou quando nossos filhos vêm ao mundo. A mudança é de berço. Mas também de vontade de enxergar coisas simples na vida.
Da revisão dos conceitos pode nascer um novo mundo. Por que não começar esse exercício já? Você pode evitar novas desgraças e muitas lágrimas com uma simples decisão: o respeito ao próximo.


Blog do Amauri Garcia




