A diretora da TV UFG, Rosana Borges, enviou Carta de Repúdio e artigo com o título "a praça censurada" à Rádio 730. Nestes documentos ela relata que a última sexta-feira (18) uma equipe da TV UFG teria sido vítima de "censura na Praça Cívica.
A equipe da TV foi impedida de fazer imagens na Praça Cívica, por integrantes do Gabinete Militar do Governo de Goiás.
Diz a Carta de Repúdio, assinada por ela, e enviada à Rádio 730:
"Contrariando a Carta Magna que rege nosso país, na tarde da última sexta-feira, dia 18 de março, uma equipe da TV UFG foi vitma de censura prévia na Praça Cívica, em Goiânia. Ao montar os equipamentos para iniciar uma gravação, a equipe, composta por jornalista, cinegrafista e auxiliar de cinegrafia, foi interceptada por um policial militar que solicitou autorização para filmagem no local. De pronto, a repórter informou que estava em uma praça pública e que, portanto, não precisaria de autorização. Insistindo na dita autorização, o PM intimidou a repórter e a encaminhou para uma sala do Gabinete Militar localizada dentro do Palácio Pedro Ludovico Teixeira. Quando a jornalista chegou na sala percebeu que estava sozinha em meio a vários outros policiais. Dentro do recinto, o policial que abordou a equipe questionou a formação profissional da repórter e afirmou que a mesma ainda era estudante.
Outro policial, que estava sentado em uma mesa, questionou sobre o conteúdo da matéria que estava sendo produzida, dizendo que precisava saber se a matéria estava "falando mal do governo". Mesmo explicando que era jornalista formada, contratada da TV UFG, que estava gravando em local público, com uma equipe e equipamentos identificados, a jornalista foi constrangida por policiais militares que insistiram em avisar que, para a TV UFG registrar imagens na Praça Cívica, é necessário informar sobre o conteúdo da gravação aos policiais e ainda solicitar a referida autorização, que não é concedida por meio de nenhum documento escrito, sendo apenas verbal, após a explicitação da pauta aos policiais do Gabinete Militar.
Após mostrar a pauta das entrevistas, que questionavam o goianiense sobre sua satisfação com o plano de saúde, a repórter foi autorizada a filmar na Praça Pública, digo, Censurada. Considerando que o local de gravação é uma praça pública, a sanção sofrida pela emissora parece não se tratar de apenas uma forma de intimidação, pois fere o Artigo 220 da Constituição Federal Brasileira, configurando numa tentativa de censura prévia. Não é a primeira vez que a TV UFG produz matérias na Praça Cívica e filma no mesmo local em que fez as entrevistas. No entanto, é a primeira vez que é solicitada esta autorização.
A denúncia foi protocolada na Corregedoria da Polícia Militar, que vai investigar os fatos e adotar os procedimentos administrativos cabíveis. No entanto, esses parecem ser insuficientes diante da gravidade dos acontecimentos, uma vez que se trata de uma tentativa de censura
prévia e que, como dito, é uma prática não aceitável no atual momento histórico em que vivemos no Brasil".
VEJA A ÍNTEGRA DOS DOCUMENTOS DA DIREÇÃO DA TV UFG
A denúncia é muito séria. O Gabinete Militar tem a obrigação de se manifestar e, se for o caso, manifestar um pedido de desculpas à TV UFG.
Hoje dia 23/03/2011 o governador divulgou uma carta que enviou para o reitor da UFG
Prezado Dr. Edward Madureira Brasil,
Tendo tomado conhecimento do lamentável episódio ocorrido na Praça Cívica, com desdobramentos no interior do Palácio Pedro Ludovico, na sexta-feira 18 de março, determinei imediatas providências no sentido de apurar os fatos e identificar os policiais militares que, conforme descrição feita pelos profissionais da imprensa, coagiram e procuraram intimidar uma equipe de gravação da TV UFG, canal 14 UHF, que ali, naquele momento, montava seus equipamentos para iniciar um trabalho de cunho jornalístico.
No Estado Democrático de Direito, inconcebível é qualquer ato que tente restringir a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma.
Lamento profundamente o ocorrido. Esteja certo, Sr. Reitor, da rigorosa apuração dos fatos e da punição que sofrerão os responsáveis por esse verdadeiro atentado contra as liberdades democráticas que nos são, a todos, asseguradas pela Constituição do Brasil.
Com estima e respeito,
Governador Marconi Perillo